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«Nos Jardins de Klingsor», um livro para férias e não só

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hh.jpgContos Maravilhosos. Histórias do Poente e do Levante.

Autor: Hermann Hesse
Tradutora: Isabel de Almeida e Sousa

«(…) Os “Contos Maravilhosos” (”Märchen”, no título original) situam-se todos na exuberância fantasiosa e na mística transfiguradora dos seus universos e motivos neo-românticos, do lado da vertente poeticamente idealizadora, onde se projecta a sombra tutelar de Novalis e o apego romântico do Hesse de sempre. Na verdade, estas histórias acompanham o percurso do Autor desde os seus 20 anos até à fase de encontro de si que é a de “Narciso e Goldmundo” e da “Viagem ao Oriente” (1930-32). E, a despeito da enorme diversidade de assuntos, elas respiram um mesmo ar e alimentam-se do mesmo princípio condutor, simultaneamente romântico e jungiano: o da polaridade entre espírito e natureza, entre interior e exterior (”Nada está fora, nada está dentro, pois o que está fora está dentro”).
(…) O texto português de Isabel de Almeida e Sousa ganha, depois do primeiro conto, uma fluidez e uma riqueza de cambiantes notáveis, um sentido do vernáculo ou do registo poético perfeitamente capazes de recriar a atmosfera de maravilhamento e de fantasia envolvente que nos reconduz a lugares, mitos e motivos românticos. (…)», João Barrento, Público Leituras

ADENDA: «Faldum», um dos contos deste livro, foi teatralizado pela companhia Trigo Limpo, como se pode ver pela ficha do espectáculo do Centro de Estudos de Teatro..

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O Universo, a Nossa Casa

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livro_281.jpeg A Procura das Leis da Auto-Organização e da Complexidade, da autoria de Stuart Kauffman
Tradução de Carlos Sousa de Almeida
Revisão científica de José Félix Costa
, do CCC, objecto de recensão em Disputatio

Um excerto: «A mudança, a complexidade e a desordem são aspectos determinantes da natureza e das sociedades humanas dos nossos dias e no fim deste século. Embora a tradição científica ocidental afirme que as melhores teorias (e leis) são as mais simples (o cérebro humano tende a procurar o que é primitivo e invariante), as nossas intuições acerca do mundo parecem estar erradas sempre que o examinamos mais de perto. Por exemplo, a nossa intuição diz que as regras deterministas do comportamento dão origem a acontecimentos completamente previsíveis, o que nem sempre é verdade. O complexo é subjectivo e depende muito do modo como o encaramos e o compreendemos. Por isso devemos estar continuadamente preparados para o inesperado e o imprevisível. Mas que ciência temos actualmente para enfrentar os nossos presentes e futuros problemas? Como os podemos descobrir, olhar, estudar e analisar de forma a resolvê-los? E, com que instrumentos científicos e tecnológicos podemos contar para entender os comportamentos estranhos? Quais são as leis fundamentais a que odedecem tais sistemas?», Editorial Bizâncio

Foi escolha de Jorge Dias de Deus no «Mil Folhas»: «Dez anos demorou este livro a vir de Santa Fé, nos Estados Unidos, até nós. Ainda vem a tempo. Querendo ir além do que Darwin disse, o autor trata da emergência e do aparecimento espontâneo da ordem que está subjacente à Vida em todas as suas variantes. É a teoria da complexidade explicada a toda a gente.»

Jorge Dias é autor de «Viagens no Espaço-Tempo» e «Ciência, Curiosidade e Maldição», aqui lido, este, por Desidério Murcho (Gradiva).

Algumas ligações úteis: The Santa Fe Institute; L’Encyclopédie de L’Agora; Complex Systems Glossary; International Society for Complexity, Information and Design; Association pour la Pensée Complexe.

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Penthesilea, um filme de Hans-Jürgen Syberberg

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penthesileah_lle.jpg

Tradutor (Translator): Isabel de Almeida e Sousa

Texto e imagem

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Rua de Sentido Único

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einbahnstrase.jpg

«O ego é um texto: é preciso decifrá-lo.» Susan Sontag no prefácio a Rua de Sentido Único

Tradução de Isabel de Almeida e Sousa 

FRAGMENTOS:

«Projector
Só conhece uma pessoa aquele que a ama desesperadamente.»

«Para Homens
Convencer é estéril.»

«I. Os livros e as prostitutas podem levar-se para a cama.»

«Colher antiga
Uma coisa há que é vedada aos maiores épicos: alimentar os seus heróis.»

Walter Benjamin

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A Física da Imortalidade

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fim.jpegCosmologia Moderna, Deus e a Ressurreição dos Mortos, da autoria de Frank Tipler
Tradução de Carlos Sousa de Almeida
Revisão científica de José Félix Costa

Recensão de C.E., na Gazeta de Física, vol. 26, fasc. 4:
«Foi recentemente publicado em Portugal, no prelo da Bizâncio, um livro com um título curioso - “A Física da Imortalidade” - e com um subtítulo ainda mais curioso - “Cosmologia Moderna, Deus e a Ressurreição dos Mortos”. Curiosíssimo é o facto de o autor, Frank Tipler, ser um reputado físico-matemático de uma bem conhecida universidade norte-americana, a Tulane University, situada na Saint Charles Avenue, na elegante “uptown” de New Orleans, Louisiana.Tipler trabalha no Gibson Hall, a mansão onde foram rodadas algumas cenas do filme “Dossier Pelicano” (com Julia Roberts), sendo a relatividade geral a sua especialidade. É a primeira vez desde o “cisma” ocorrido com Galileu por causa de Copérnico (uma questão cosmológica…) que a física e a teologia aparecem tão intimamente unidas. Para quem ler o prefácio, não restam dúvidas sobre as intenções do autor: “…A teologia é um ramo da física,… os físicos podem inferir a existência de Deus através do cálculo e a probabilidade da ressurreição dos mortos para a vida eterna exactamente da mesma forma como os físicos calculam as propriedades do electrão…” E logo a seguir, como que respondendo a quem tenha dúvidas, o autor acrescenta: “Estou a falar muito seriamente, mas estou tão surpreso como o leitor. Quando iniciei a minha carreira como investigador, há cerca de 20 anos [o livro original é de 1994], era um ateu convicto. Nunca imaginei nos meus sonhos mais loucos, que um dia viria a escrever um livro com o objectivo de mostrar que as afirmações da teologia judaico-cristã são de facto verdadeiras, que elas são deduções directas das leis da física como as entendemos agora. Fui obrigado a chegar a estas con-clusões pela lógica inexorável do meu ramo de especialidade, a física”. A mensagem é, sem dúvida, surpreendente para quem está habituado a separar as águas entre ciência e religião. Aqui a religião é simplesmente “engolida” pela ciência, como se a ciência fosse tudo e tudo pudesse. Com franqueza, acho o livro bastante interessante, pelo que o recomendo, mas a pretensão do autor parece-me francamente exagerada. Não penso que as quase quinhentas páginas consigam convencer quem não está já convencido da “ressurreição dos mortos”. Acresce que os argumentos nem sempre são fáceis de seguir, recorrendo Tipler, além do texto principal, a um largo “Apêndice para Cientistas”, com mais de cem páginas recheadas de equações. Mas de que ciência trata afinal o livro? Tipler usa a doutrina da relatividade geral, que bem conhece, para analisar um modelo cosmológico, que talvez tenha caído um pouco em desuso nos últimos tempos (observações de supernovas indicam que o universo está em expansão acelerada), no qual o universo se contrai para no final cair num ponto, o “ponto ómega”. Tipler parece motivado pelas teses teleológicas do padre Teilhard de Chardin. É nesse hipotético “ponto ómega” que todo o mundo e toda a humanidade se virá a reunir - a tal “ressurreição dos mortos” que serve de isco ao leitor no subtítulo. Seria o “big bang” (o “ponto alfa”) ao contrário. Contudo, ao contrário do padre Chardin, para Tipler a existência do “ponto ómega” está associada a previsões da física, que se podem verificar experimentalmente. Tipler chega a prever um valor para a massa do bosão de Higgs, a partícula ainda não descoberta que constitui o “Santo Graal” da física das altas energias. No ano de publicação do livro, Tipler, compreendendo como era difícil publicar essa sua previsão num artigo “normal” de uma revista científica, aproveitou uma sua recensão de um outro livro na “Nature” para a enunciar, ainda que sem prova. Escreveu: “Se Deus existe então a massa do quark top tem de ser 185 mais ou menos 20 GeV e se Deus é humano então a massa do bosão de Higgs tem de ser 220 mais ou menos 20 GeV”. Com afirmações destas não admira que o título da recensão - “Deus nas equações” - tenha sido censurado pelos editores da revista… Como mostra este episódio, Tipler possui, para além de uma grande bagagem científico-cultural, um aguçado sentido de humor. Fala muito, sobre qualquer assunto. Conta bastantes histórias. Tem, por vezes, imensa graça. Tem graça, por exemplo, quando dedica o livro aos avós da sua esposa, que é polaca, escrevendo “todos os três, cidadãos de Torun, Polónia, local de nascimento de Copérnico, morreram esperando a ressurreição universal, esperança que, mostrarei neste livro, se cumprirá no final dos tempos.” Algumas histórias de Tipler são famosas no mundo académico da Física. Uma das histórias que circulam, não sei se apócrifa, relata que numa “book review” de “Física da Imortalidade” apareceu uma gralha que transformou “Física da Imortalidade” em “Física da Imoralidade” (em inglês, passou de “Immortality” para “Immorality”, o que é só a queda de uma letra). Mas a piada não acaba aqui. Não é que Tipler, ao ver a gralha, comentou: “Ora aqui está um excelente título para o meu próximo livro”. Talvez estivesse a imaginar um subtítulo com a palavra “sexo”… O volume aqui em questão é o segundo livro do autor. O primeiro foi um erudito trabalho de colaboração com o astrónomo inglês (e divulgador científico) John Barrow, intitulado “The Anthropic Cosmological Principle” (não há tradução em português). O princípio antrópico oferece uma explicação da “máquina do mundo” não pelas suas causas, como é tradição em ciência, mas pelas suas finalidades. De acordo com o princípio antrópico, o mundo é como é porque, se não fosse assim, não estaríamos cá para o observar. O argumento é passível de muitas objecções… Como todos os autores, Tipler gosta de vendas: deve estar agora contente com esta edição em Portugal, tão contente quanto se mostrou quando a rede TV Globo de televisão lhe pediu uma entrevista para o “Fantástico”, um programa de grande audiência no Brasil. A edição chega-nos pelas mãos da editora Bizâncio, aparecendo integrada numa das poucas colecções de ciência que hoje se publicam. “A Física da Imortalidade” é o número 14 da colecção “A Máquina do Mundo”, que a Bizâncio confiou a José Félix Costa, matemático do Instituto Superior Técnico de Lisboa. Outros títulos dessa colecção que merecem leitura são “O Quarteto de Cambridge” de John Casti, “T. Rex e a Cratera da Destruição”, de Walter Alvarez e o recente “Ciência ou Vodu”, de Robert Park. A esta colecção, que está como as outras da Bizâncio sob a supervisão de Luís Alves, deseja-se o maior futuro. Se não chegar até ao “ponto ómega”, que chegue pelo menos o mais próximo possível dele. Isto no caso do “ponto ómega” existir.»

Para outras leituras, ver aqui.

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Reedição de tradução

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Acaba, suponho - vi-a à venda de novo na FNAC - de ser reeditada esta obra - EROS - com fotografias e textos de vários autores, em tradução de Carlos Sousa de Almeida, embora, idiossincracias portuguesas, uma vez mais, nela não conste o nome do escriba - qual nègre - que a verteu para português. Podem ler-se aqui alguns poemas, ainda que as imagens nem sempre coincidam: 1, 2, 3, 4, 5, 6.

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Lista de diálogos, «script», guião… (1)

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Geschichtenerzähler, Der (1989).
Original:
Frau Jensen (a): Wenn Helen sich meldet, soll sie unbedingt anrufen.
Nico (b): Jajaja…
Nico (c): Der Ehemann ist Trinker und Sadist, durch und durch unsympatisch, kein Zuschauer kann ihn leiden. Es ist eine Erleichterung, wenn er ermordet wird. Seine Ehefrau hat natürlich ein Alibi, denn sie ist über 100 Kilometer weit weg…
…Und… den Schatten kann keiner verdächtigen, weil ihn mit der Frau emotional überhaupt nichts verbindet…
Alex (d): Also, wenn das man kein Bulle ist!

Versões (legendadas):
Inglesa
(a) Tell Helen to ring us if you hear from her. /
(b) Sem texto.
(c) The husband is an alcoholic and a sadist.
A mean character… /
no viewer can stand him.
His murder comes as a relief. /
His wife has an alibi…
she is over 60 miles away. /
And no-one can suspect the ‘Shadow’
because he is not connected /
to the wife in any way,
emotionally speaking…
(d) I bet that’s a cop!
Francesa
(a) Dis à Helen qu’elle nous appelle,
si tu en as l’occasion. /
(b) Sem texto.
(c) Le mari est un ivrogne et
un sadiste. /
Um sale caractère.
Les spectateurs le détestent. /
Son assassinat, c’est un
véritable soulagement. /
Sa femme a un alibi en or. Elle
se trouve à plus de 100 km de là. /
Et personne ne soupçonne “l’Ombre”… /
puisqu’il n’a aucune relation
avec la femme. /
(d) Ça m’a tout l’air d’être un flic!

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Museu da Língua Portuguesa - No Brasil…

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A iniciativa de se criar um espaço permanente dedicado à língua é inédita. A língua está presente na arte, na ciência, na religião, no nosso cotidiano, enfim, em toda a cultura. Do mais banal fonema à mais sofisticada produção de conhecimento, toda a comunicação está quase que inteiramente baseada na língua. Sendo assim, a Língua Portuguesa expressa tudo o que chamamos de Brasil e também aquilo que entendemos como sendo a nossa brasilidade.

Daí a idéia de se criar um museu vivo da língua, no qual os brasileiros se reconheçam e possam se conhecer melhor.
(via Notícias Lusófonas)

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A língua portuguesa na tradução de filmes (3)

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Poderíamos ainda falar da função educativa da televisão, do nível cultural português e de outras coisas mais, mas isso extravasaria o âmbito do assunto que, modestamente, nos propusemos abordar. O que é certo é que a televisão procura abranger o maior número possível de pessoas, proporcionar-lhes divertimento e entretenimento, quantas vezes matar-lhes a solidão, fornecer-lhes um tema de conversa. E isto de mexer com um tão grande leque de interesses é muito complexo.
Devemos ainda sublinhar que um filme vive da associação da imagem, do texto e do som envolvente como elementos complementares; o texto, ou seja, aquilo que é dito pelos actores, quando habilmente trabalhado na legenda, não subestima nem ofusca os outros dois elementos, a imagem e o som envolvente. Quando um filme é legendado, a legenda torna-se um novo factor, estranho, introduzido na obra, que não foi, à partida, pressuposto pelo realizador. Por essa razão, deve ser habilmente coordenada com os restantes três factores para não obliterar a imagem, a vida da imagem, e efectivar o serviço que a língua, neste caso, deve prestar-lhe. Estamos certos de que quanto mais rico for esse serviço, mais este reverterá a favor da língua que todos falamos: a língua portuguesa.

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A língua portuguesa na tradução de filmes (2)

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Do mesmo modo, a legenda deve seguir, se possível, uma ordem sintáctica simples: sujeito + predicado + complementos necessários à sua inteligibilidade. A divisão das frases por cada uma das linhas da legenda deverá possuir um sentido tão completo quanto possível. É claro que alguns destes aspectos são relativos, pois há que ter em conta elementos como o ritmo narrativo, o contexto, o tipo de texto: a diferença entre um texto de teatro clássico e um policial é sobejamente ilustrativa do que se pretende dizer.
De qualquer forma, a legenda é, normalmente, «expurgada» daqueles elementos que a podem sobrecarregar demasiado e tornar lenta a sua leitura e compreensão: por exemplo, alguns advérbios que, dentro do contexto, se tornam óbvios, não carecem de tradução; os advérbios de modo devem ser substituídos, uma vez que são longos e de difícil leitura, por correspondentes mais curtos, bem como, em geral, qualquer palavra muito longa, sempre que tal seja exequível. Outro exemplo é uma legenda carregada de adjectivos: ela não introduz elementos de leitura esclarecedores, dificulta a leitura e consequente interpretação e adesão à matéria fílmica. Um outro exemplo ainda é constituído pelas frases subordinativas: estas exigem um tempo de reflexão que só pode integrar-se em obras dirigidas a espectadores com um nível cultural elevado, possuidores de maior velocidade de compreensão do texto.

(continua)

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